15
abr
Lucha libre: tradição

Não gosto de roteiros de viagem com guias e paradas programadas. Acho mais interessante acompanhar o fluxo da cidade e ver o que acontece. Às vezes, as melhores descobertas são fruto da espontaneidade e da ausência de planos.

Voltávamos para o metrô após um longo dia em Coyoacán. Enquanto esperávamos o sinal abrir, um cartaz chamou minha atenção: era a despedida de Ray Mendoza Jr., o Villano V, integrante de uma importante dinastia da luta livre mexicana. Não perdemos tempo e fomos nos informar como poderíamos conferir o Torneio da Morte ao vivo. Como queríamos evitar a onipresente taxa de conveniência, maldita em qualquer lugar, decidimos comprar os ingressos no próprio ginásio… mas, bateu aquela preguiça e acabamos não indo. Nesse meio-tempo, os lugares na primeira fila estavam esgotados. Pelo mesmo preço, acabamos na terceira por puro vacilo.

No México, a luta livre é mais do que uma paixão nacional: é uma arte transmitida de geração para geração. Por exemplo, muitos lutadores – como El Hijo del Santo, Blue Demon Jr., Rayo de Jalisco Jr., Dr. Wagner Jr., Hijo del Pirata Morgan etc. – recebem o nome de guerra de seus pais e dão continuidade à tradição da máscara, considerada sagrada. Em tal contexto, o desmascaramento é uma perda irreparável: o lutador ou se aposenta ou perde aquela identidade e assume outra. Só para se ter uma ideia de sua importância, após mostrar seu rosto em um programa de televisão, El Santo foi enterrado de máscara, em um dos maiores funerais da história mexicana.

O local do torneio era grande e estava bem cheio. O público, cujo entusiasmo era contagiante, consistia em pessoas de todas as idades, muitas das quais vestiam as máscaras de seus lutadores prediletos.

Para quem acha que é tudo fingimento na luta livre, os saltos e as lesões são bastante reais. Eu, toda novata e deslumbrada, fiquei tão entretida com uma das lutas que nem sequer percebi o movimento da galera. Acontece que o técnico (ou mocinho) havia sido arremessado para fora do ringue. O público, como já sabia o que estava por vir, começou a agir: as mães tiraram as crianças da frente, os pais tiraram as mães da frente, todos se prepararam para sair de baixo… todos menos… eu. De repente, o rudo (o vilão) correu e se lançou entre as cordas do ringue, de cabeça mesmo, arremetendo contra o lutador caído e, consequentemente, os mais desavisados, inclusive a que vos fala. Quase perco uma perna. Enfim, o rudo se esborrachou nas cadeiras, jogando o chile e os totopos de uma pobre alma pelos ares. Fiquei hipnotizada. A luta continuou no meio da galera. O rudo provocava o público, que o vaiava. O técnico, ovacionado, pegou uma cadeira e quase a quebrou nas costas do oponente. Adrenalina pura.

Só fui entender o quanto o povo mexicano reverencia os lutadores quando vi o Mil Máscaras, lenda viva da luta livre, entrar no ringue. O público foi à loucura. Embora já tenha lá seus setenta anos, não poupou esforços para derrotar seu adversário, dando pulos e aplicando golpes que muitos marmanjos na flor da idade não conseguiriam executar. Quando a luta acabou, uma multidão se aproximou do lutador, que voltava para os bastidores. Era como se um super-herói tivesse saído dos gibis para combater as malfeitorias dos vilões nos ringues mexicanos. Nunca vi tamanha reverência. Nunca vi coisa parecida.

Uma lucha de apuestas encerrou o evento. As luchas de apuestas são um dos mecanismos mais tradicionais para a resolução de conflitos e rivalidades na luta livre mexicana. Nelas, o lutador aposta a máscara, a cabeleira, um título ou até mesmo a própria carreira. Tive a sorte de ver um exótico em ação. (Os exóticos são lutadores que incorporam elementos femininos ao seu personagem.) Já machucado por conta de uma queda meio sem jeito umas duas lutas antes, Cassandro sucumbiu aos golpes da dupla de Villanos, o IV e o V, mesmo com a ajuda de Toscano, seu parceiro. Perdeu a cabeleira e suas madeixas foram raspadas ali mesmo, em meio às moedas de um, dois, cinco e dez pesos que eram atiradas no ringue. Enquanto isso, o homenageado Ray Mendoza Jr., todo ensanguentado, agradeceu ao público pela generosidade e, emocionado, concluiu sua carreira em uma luta gloriosa assistida por parentes e amigos.

Quando saímos do ginásio, vi uma garotinha que segurava uma máscara e a oferecia aos passantes. Tentava ajudar seu avô, sentado em frente a uma barraquinha cheia de máscaras de lutadores. Então, percebi que tinha acabado de presenciar algo muito único especial, algo que toca e anima o coração de todo um povo, um legado transmitido de pai para filho e de avô para neta que ainda sobreviverá a muitas gerações.

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+LaParka

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+RayodeJaliscoJr

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+Villano

 

lucha-libre-mexicana+luchadores+México+Chá-com-Cupcakes

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+Cassandro

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+DrWagnerJr2

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+MáscaraAño2000

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+PirataMorgan

 

lucha-libre-mexicana+la-parka+México+Chá-com-Cupcakes

 

lucha-libre-mexicana+México+LaParka+Chá-com-Cupcakes

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+Solar+DrWagnerJr

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+DrWagnerJr

 

lucha-libre-mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+viagem

 

lucha_libre_mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+queda

 

MonikeHeredia+blogueira+Férias+México+lucha_libre+Rayo_de_Calisto+ChácomCupcakes

 

MonikeHeredia_Fénix+México+Férias+Lucha_Libre+ChácomCupcakes

 

lucha-libre-mexicana+México+Chá-com-Cupcakes+lutadores

02
abr
Uma tarde em Teotihuacán

O post de hoje não é para contar a história de Teotihuacán.  É para mostrar a beleza de um local que pude conhecer quando estive visitando o México no mês passado.

Teotihuacán fica a apenas uma hora e meia de ônibus da Cidade do México. Ficamos deslumbrados com a beleza deste local histórico. Andamos pela Avenida dos Mortos e subimos até o topo da Pirâmide do Sol.

Depois, é “só” descer os degraus (que são enormes…), andar mais um pouco e escalar a Pirâmide da Lua.  Pelo caminho, é possível encontrar o artesanato local a preços convidativos. Tinha ouvido várias reclamações sobre os ambulantes no local, mas eu achei o número de vendedores bastante aceitável.

Subir cada uma das pirâmides é literalmente de tirar o fôlego. Chegamos exaustos ao topo… mas depois vem aquela sensação de paz e gratificação por poder olhar para o horizonte e presenciar aquela arquitetura fantástica.

MonikeHeredia+Pirâmide-do-Sol+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

 

MonikeHeredia 11+Pirâmides+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

 

Monike Heredia+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

 

MonikeHeredia 8+Pirâmides+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 4-Teotihuacán-Pirâmides-México-Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 9+Pirâmide-do-Sol+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia+Teotihuacán-México-Pirâmides-Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 7+Pirâmide-da-Lua+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia+Pirâmide-da-Lua+Teotihuacán+México+Chá+com+Cupcakes

MonikeHeredia 2+Teotihuacán-México-Pirâmides-Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 3+Teotihuacán-México-Pirâmides-Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 9+Pirâmides+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

MonikeHeredia 10+Pirâmides+Teotihuacán+México+Chá-com-Cupcakes

Fotos: iPhone 5

 

26
mar
Estilo Frida Kahlo

Em meu passeio por Coyoacán, na Cidade do México, tive a oportunidade de visitar a famosa Casa Azul, onde Frida Kahlo nasceu, viveu e morreu.

Pelo que vi, posso dizer que a vida dela não foi nada fácil. Passou por muita coisa triste.

Em sua infância, contraiu poliomielite, que a deixou com uma sequela permanente: sua perna direita ficou bem mais fina do que a esquerda (depois fui entender por quê os pés de seus calçados tinham um solado maior do que o outro).

Na adolescência, sofreu um grave acidente quando voltava da escola para casa: o ônibus em que estava foi atingido por um bondinho. Entre as muitas fraturas que teve, inclusive na clavícula, no púbis, no pé direito, no ombro esquerdo e na perna direita (que se quebrou em onze partes), as ferragens atravessaram seu quadril pelo lado esquerdo e saíram pela vagina, o que a impediu de ter filhos, uma das grandes frustrações de sua vida e motivo de vários quadros e autorretratos.

Frida comentava que foi a forma mais brutal de perder a virgindade. Ela passou por 32 cirurgias no decorrer de sua vida.

Mesmo com todos estes percalços, nunca deixou de celebrar a vida. Basta olhar para as melancias que costumava pintar: a vida pode ser dura por fora, mas é doce se a pessoa souber aproveitar seus frutos.

Além dos belos, além dos espaçosos cômodos da casa, além da correspondência e das fotografias com gente importante (sabiam que ela foi amante de Trótski? …pois é), além de sua coleção de ex-votos, uma das coisas que mais chamou minha atenção foi seu jeito tão característico de se vestir.

Adotou os longos vestidos das tehuanas (ou seja, das mulheres do município mexicano de Tehuantepec) para expressar seu ideal político, já que a sociedade tehuana tinha fama de ser matriarcal; para forjar uma identidade só sua em meio às figuras tão importantes com as quais convivia, inclusive seu marido, o grande muralista Diego “Sapo-Rã” Rivera; e para disfarçar suas imperfeições físicas em grande estilo.

Dizem que as crianças caçoavam dela na rua e lhe perguntavam onde estava o circo; mas, com classe e compostura, Frida só dava uma risadinha. Moleques.

Nas fotos, poderão conferir suas roupas, que estão em exposição na Casa Azul. Entre as peças estão suas muletas, seus sapatos, seus óculos, seus vestidos… até mesmo um espartilho de gesso com a foice e o martelo.

Frida Kahlo é um exemplo para as mulheres do mundo inteiro. Fiquei feliz por conhecer muitos detalhes de sua vida pessoal, conferir de pertinho os objetos expostos em sua casa e ler todas as fichinhas com explicações miudinhas. Foi uma sensação diferente e inesquecível. Enfim, faz qualquer pessoa ficar sentimental. Só posso dizer que essa mulher foi uma guerreira e merece o respeito de todos.

Museo+FridaKahlo+México+ChácomCupcakes

Frida_Kahlo+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+VivaLaVida+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+cozinha+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo3+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo2+México+ChácomCupcakes

Museu+Frida_Kahlo+México+jardim+ChácomCupcakes

Museu+Frida_Kahlo+México+MonikeHeredia+ChácomCupcakes.J

Museo+Frida+Kahlo+México+ChácomCupcakes

Museu+Frida_Kahlo+estilo+roupas+México+ChácomCupcakes

 

estilo+Frida_Kahlo+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+estilo2+ChácomCupcakes

 

Museo+estilo+Frida_Kahlo+México+corset+ChácomCupcakes

Museo+estilo+Frida_Kahlo+México+ChácomCupcakes

Museu+Frida_Kahlo+estilo+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+estilo+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+sapatos+ChácomCupcakes

Museu+Frida_Kahlo+estilo+roupa+México+ChácomCupcakes

Museu+estilo+Frida_Kahlo+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+sapato+México+ChácomCupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+estilo+corset+ChácomCupcakes

MonikeHeredia+blogueira+jardim+CasaAzul+FridaKahlo+México+chácomcupcakes

Museo+Frida_Kahlo+México+ChácomCupcakes

 

Fotos: iPhone 5 

Páginas12345... 10»